Luiz Hermano: Uma arte quase-humana para uma quase-criança dentro de nós
novembro 2, 2009 by andre eichemberg
Filed under ARTDESIGN, CONTEMPORÂNEO
“A arte existe para que a verdade não nos destrua.” Nietzsche.
Luiz Hermano é um artista nascido no Ceará, 1954, sendo um dos importantes artistas brasileiros na atualidade. Seu universo passa por sua infância, suas origens, cultura e paisagem regional até as questões cibernéticas e digitais da era contemporânea.
A arte de Luiz Hermano seria antes de tudo, uma pré-coisa, um antes, anterior, estado gestativo de alguma matéria em formação. Anterior a forma ou de um conceito, podemos dizer que Hermano nos coloca nesse estado de arte que emerge do diálogo entre a infância e o universo que nos rodeia, isto é, a vida.
Trata-se de uma experiência quase-criança dentro de nós, de tudo aquilo que escapou na infância, ou modificou durante o tempo; universos que se dobram: ora madeira, ora música, mas onde estávamos ontem à noite?
Brinquedinhos de madeira e de plástico, cabeças de cavalo, esponjas, centenas de boizinhos, joaninhas, sapos coloridos, máquinas do tempo, capacitores, arames, submarinos… Hermano brinca de loucura possível, cria uma rede temporal criadora, onde tudo é novo e memória, rearticula o objeto de arte para o campo do afeto.
A série Dobráveis (1995) e Encaixes (1999) nos remete as obras de Lygia Clark e Hélio Oiticica, experimenta a ação do público enquanto interação necessária ao universo lúdico, como na obra Para Brincar (1999). As referências são claras e necessárias para essa experimentação do pensar na arte, mas o que se segue é o caos da infância em forma de poesia.
Mas a recente empreitada da obra de Luiz Hermano contém um desprendimento do ato de pensar a arte. Há no universo infantil das obras do artista uma rearticulação dos sentidos das coisas, um anti-sentido, ou mesmo um pré-sentido, como se todas as coisas fossem dotadas de poder de mutação, ora concha, ora tecido aveludado, ora uma teia de arames. Pois o afeto rege essa sinfonia, somos tomados de uma alegria estranha, ainda em formação, como se o próprio sentido que conhecêssemos de alegria fosse algo totalmente novo, como na infância.
Uma arte para quase-humanos, que emerge num momento anterior a formação do nosso repertório de linguagem, da teia de significados necessários ao cotidiano, pois somos, como nos despertou Nietzsche Humano, Demasiado Humano.
por André Teruya Eichemberg
sites de interesse:
Luiz Hermano – ludens. Texto de Agnaldo Farias
Popularity: 37%
MATÉRIAS RELACIONADAS:









































Audrey on seg, 9th nov 2009 10:29 PM
A arte do Luis Hermano é uma arte que nos faz rever nossos conceitos sobre tudo que aprendemos sobre o mundo em que vivemos, sobre o nosso mundo pessoal,a inocência de uma criança, como o tchem mesmo disse ela vem antes de um conceito ou de uma forma.. uma pré-coisa. Aprendemos um pouco sobre a arte dele no 7º período, para quem não conhece ainda vale a pena aproveitar essa oportunidade.
Giselda Poiani on qua, 10th fev 2010 9:20 AM
Eu tive a oportunidade de ver as obras do Luiz Hermano na Pinacoteca do Estado em São Paulo e me senti extremaente feliz levada por aquelas construções de sentido que remetem à infância e às suas suas próprias construções já esquecidas pelo tempo.A sutileza nas escolhas dos objetos que compõem as obras são emocionantes.
Giselda Poiani on qua, 10th fev 2010 9:23 AM
Eu tive a oportunidade de ver as obras do Luiz Hermano na Pinacoteca do Estado em São Paulo e me senti extremamente feliz levada por aquelas construções de sentido que remetem à infância e às nossas próprias construções já esquecidas pelo tempo. A sutileza nas escolhas dos objetos que compõem as obras são emocionantes.