lina bo bardi. Aula de arquitetura

outubro 4, 2009 by Yoná  
Filed under ARTDESIGN, CONTEMPORÂNEO, HISTÓRIA, NACIONAL, URB

Rampas

Obra  SESC Pompéia

Arquiteta  Lina Bo Bardi

Ano  1977

Localização  São Paulo

A obra de Lina Bo Bardi, apesar de possuir raízes identificáveis, não se enquadra a uma corrente arquitetônica, sua obra é única e merece destaque. Sempre há uma idéia forte traduzida em imagens poéticas que a orientam formal e funcionalmente. Porém essa idéia surge para finalizar suas interpretações e decisões tomadas; não é algo alheio a arquitetura que se introduz ao projeto para formalizá-lo.

Um dos pontos mais abordados em seus projetos é o respeito aos lugares onde a obra será implantada, preservando a identidade local e valorizando-a através de elementos modernos. O SESC se origina dessa premissa:

Total

O projeto seria desenvolvido numa antiga Fábrica de Tambores (por sinal uma linda construção em concreto armado que na época era o que havia de mais inovador em tecnologia construtiva) que para a arquiteta deveria ser reinventado. Lina controla o uso dos grandes galpões canalisando as atividades permeadas por espelhos d’água, lachonetes e exposições. E como optou por manter o edifício, seria necessária a construção de outros dois prédios que conferiu caráter marcante e monumental ao espaço. Há a configuração de um conceito forte central que organiza as questões formais e acima de tudo, permanece consistente quando levado às últimas consequências. Neste caso, o lugar sugere uma reconstrução, uma reinvenção pela população.

Enquanto visitava o espaço, Lina encontrou crianças, jovens, famílias completas que já o utilizavam como forma de lazer.

“Isso tudo deve continuar assim, com toda essa alegria” – Lina 

Entrada

Entre esses galpões, desenrola-se uma rua em declive onde todas as manifestações espontâneas e previstas acontecem e percorrem todo o espaço até chegar numa área reservada a prática de esportes e um balneário. Além da qualidade formal, ela se destaca pela relação com o contexto circundante. Essa rua encontra-se com outra construída sobre o Córrego das Águas Pretas refletindo a cidade de São Paulo para o microcosmo. O córrego ocupa uma área non-edificandi que concretizou ainda mais a preciosidade das premissas adotadas por Lina. Como optou-se por preservar a memória industrial local, no fim do terreno, quando este fio d’água dividia duas áreas, a arquiteta implantou os edifícios. Estes edifícios dialogam com as robustas passarelas que não alteram a ocupação do solo protegendo-o apenas por um deck de madeira.

Ligação

O teatro também nos remete a processos muito preciosos. Lina remonta a configuração tradicional do teatro apreciado apenas pela antiga corte optando propositalmente por poltronas desconfortáveis. E circunda todo o redor do palco com platéia, propondo portanto, novas formas de expressão e confiança no potencial popular de criação. Existe uma relação direta entre forma e construção, apoiada na pertinência das escolhas de materiais, técnicas e formas. “Os estofados aparecem nos teatros áulicos das cortes, no setecentos e continuam até hoje no ‘confort’ da sociedade de consumo”, escreve Lina.

 teatroTeatro

Por decorrência e primor da “idéia forte”, a apropriação do espaço pela população ACONTECEU!

ExternoInterno

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Comments

4 Comments on "lina bo bardi. Aula de arquitetura"

  1. fernandolui on dom, 4th out 2009 8:27 PM 

    eh isso ai Yona… sabadao, um escrevidinha no blog…. muito legal!!!

  2. daniele cantoia on seg, 5th out 2009 11:09 AM 

    A Lina como sempre, consegue o que propôs e a Yo ,como sempre, consegue comunicar muito bem o que quer.Ótima leitura :D

    Dani

  3. Rodolfo on qui, 12th nov 2009 9:20 PM 

    Mto bom Yo…
    Parabens !!!

  4. lidiane on sex, 14th mai 2010 3:18 PM 

    Parabéns, maravilhosa matéria!!Vou divulgar!

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