O desenho como expressão possível da arquitetura
novembro 28, 2009 by evandro fiorin
Filed under CONTEMPORÂNEO, PROJETO, ÁREA DE PROJETO
A elaboração do projeto de uma escola de arquitetura, talvez, seja uma das tarefas mais prazerosas e honrosas no trabalho de um arquiteto. Nele o profissional pode engendrar possibilidades de “experimentar” os espaços tendo como expectativa uma mudança de paradigmas. Nesse sentido, qualquer concepção arquitetônica imbui uma ideologia que diz respeito ao próprio ensino da arquitetura. Temos grandes exemplos disso, seja na Bauhaus de Walter Gropius (1925), ou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo de Vilanova Artigas (1961). Entretanto, destes anos, para os dias de hoje, ensaiar tais pressupostos seria bastante incomum, não apenas pelas novas demandas do ensino, mas, sobretudo pela dificuldade em se estabelecer um programa de desenvolvimento sócio-cultural no Brasil. Diante destas imposições, a oportunidade de se projetar uma escola, ou mesmo um campus universitário é cada vez mais rara, o que não a torna improvável, ao menos no caso das novas instalações do Centro Universitário de Votuporanga. Por ocasião dessa empreitada, o arquiteto e professor de arquitetura do interior paulista Celso Adalberto Zuanazzi foi chamado a responder tal programa que, de início, se traduziu em algumas dezenas de croquis para os novos espaços do referido campus, incluindo o bloco destinado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo. Sendo assim, nessa ocasião damos relevo a esses estudos propositivos, que em sua maioria não resultaram em um objeto construído, mas que contemplam, ao menos no desenho, uma expressão possível do desejo de materialização arquitetônica, pensada enquanto arte e técnica. Além disso, esses esboços para o campus universitário desta cidade do noroeste paulista abarcam, ainda, um esforço do exercício do projeto como uma representação sensível da espacialidade, em tempos onde o computador veio substituindo o traço do arquiteto.

tipologia construtiva para o conjunto

- tipologia estrutural para o conjunto

- bloco da coordenadoria

bloco esportivo

bloco salas de aula 01

bloco salas de aula 02

bloco de salas de aula 03

bloco de salas de aula 04

bloco de salas de aula 05

bloco de salas de aula 06

bloco das piscinas

piscinas
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A Arquitetura do Planalto Ocidental Paulista
novembro 26, 2009 by Evanir Moro Peichoto
Filed under HISTÓRIA, SUSTENTAVEL
Característica da arquitetura paulista até início do século XX – a taipa de pilão (taipa: tabique; estuque; parede de barro ou de cal e areia com enxaiméis e fasquias de madeira- taipa de pilão= de cascalhos e saibro socado) com sua tradicional planta bandeirista.
Os paulistas (espírito nômade) trouxeram consigo, também já incorporados ao seu modo de vida, vários costumes indígenas, que influenciariam a culinária e o modo de morar, bem como a técnica de construir.
Os mineiros: pacatos, roceiros e criadores. A arquitetura mineira teve forte influência do Norte montanhoso de Portugal (80% da migração para as minas à época da mineração – século XVIII) mostram indiferentemente os diversos modelos ainda hoje encontrados em Lisboa, Porto, Braga, Viana do Minho e muitos de Trás-os-Montes. Em Minas Gerais o pau-a-pique é conhecido e identificado por taipas de sebe.
Imigrantes italianos: artesãos, carpinteiros, pedreiros, mestres-de-obra (os capomastri), que iriam introduzir na região o ecletismo não oficial, popular, sem os rigores acadêmicos.
De acordo com Carlos Lessa, as origens da arquitetura paulista – e de resto toda a arquitetura brasileira – estão principalmente em Portugal e na oca indígena, influenciada ainda por outros fatores como o clima e os materiais encontrados nestas paragens.
Contribuição portuguesa: séculos XVI e XVII – em relação às técnicas construtivas e aos aspectos formais das edificações do sul de Portugal, região de clima quente e de planícies, veio a arquitetura da terra, do adobe cru seco ao sol, da taipa de pilão, dos tijolos de barro cozido. Caracterizou a arquitetura paulistana até meados do século XIX e do interior paulista até a primeira metade do século XX com o barro socado ou taipa de pilão.
Influência indígena – o rancho de palha (aguarirana) ou sapé, com folhas de coqueiro amarradas por cipó em estruturas toscas de paus roliços, foi a primeira grande aquisição do português junto ao saber fazer do índio.
Assumiram a planta quadrada, mais próxima da realidade portuguesa, com telhado em duas águas; nas paredes, que inicialmente também eram revestidas de palha, com o correr do tempo tornaram-se de pau-a-pique ou taipa de mão (taipa de barro atirado com a mão)..
Os constantes riscos de incêndios, devido às precariedades das construções, fizeram com que o espaço destinado à cozinha fosse transferido para o exterior. O uso de chaminés surge como advento dos imigrantes do final do século XIX.
A adaptação da arquitetura em terras paulistas ocorreu em detrimento do aumento da produção e da expansão cafeeira, com a vinda dos mineiros, com a chegada das ferrovias e com o afluxo de imigrantes, principalmente italianos, fez com que se tornasse mais freqüente o uso da taipa de mão e do tijolo, sendo, então, cada vez menos utilizada a taipa de pilão, principalmente nas frentes pioneiras da Província de São Paulo, principalmente em nossa região, abertas pelos fazendeiros para ampliação dos cafezais, onde o barro socado praticamente inexistiu.
A planta da casa rural paulista foi se amoldando às necessidades locais; o isolamento dos núcleos rurais proporcionou o surgimento de um programa de necessidades muito específico à casa rural brasileira, ocasionando uma reelaboração na planta da casa rural portuguesa, adaptando-a aos trópicos, surgindo cômodos típicos como a capela, o quarto de hóspedes e o alpendre (com particularidades regionais na sua forma devido à diversidade do clima e dos materiais).
Construção sobre plataformas planas artificiais – os terraplanos – para não terem suas paredes prejudicadas pelas águas das enxurradas. Geralmente escolhia-se um terreno situado à meia encosta, próximo a cursos dágua, onde se construía o arrimo de pedras ou mesmo de taipa de pilão e fazia-se o aterro.
Nas casas paulistas entrava-se sempre pelo térreo, escada externa era sinal de influência mineira.
Revestimento das casas era feito por um processo de várias demãos, assim, a primeira era de areia e barro (regularizava sua aspereza); a segunda de lama com fibras vegetais (aumentava a sua resistência); a terceira era de fibras e areia; a quarta de areia, fibras vegetais trituradas e raspas de casca e cal para poder dar uma aparência e textura aveludada; a última demão, com areia e cal ou tabatinga (argila sedimentar, mole, untosa e com certo teor em matéria orgânica), tingia a parede de branco.
UNIFEV- Centro Universitário de Votuporanga:03/06/2005. Curso de Arquitetura e Urbanismo.
Fontes consultadas:
BENINCASA, Vladimir.Velhas fazendas: arquitetura e cotidiano nos campos de Araraquara 1830-1930. São Carlos: EdUFSCar; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2003.
LIMA JÚNIOR, Augusto. A capitania das Minas Gerais. Belo Horizonte: Ed.Itatiaia; São Paulo: Ed.da Universidade de São Paulo, 1978.
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Um muro para a sociedade
novembro 24, 2009 by Rafael Roque
Filed under CONTEMPORÂNEO
“Vivemos num tempo em que civilização periga morrer por meio da civilização”. [1]
Na Idade Média as cidades muradas eram construídas com o objetivo de se protegerem dos invasores e da barbárie. No mundo, os muros ainda participam de nossa configuração e história, ou seja, um elemento muitas vezes “corriqueiro”, mas que nos envolve como uma barreira em larga escala do preconceito, sobre a percepção atemorizada de acontecimentos que envolvem o mundo mediante suas guerras, agressões, violências e tudo o que nos deixa atordoados pelo sentimento de medo. Com isso resguardamo-nos assim de tudo o que é real ou imaginário sobre um caminho de perigo, com isso, um mecanismo na busca de proteção é acionado pelo homem.
As fronteiras, obsoletas no conceito popular da globalização, da classe social, da desigualdade e do moralismo, estão longe de acabar. “Conforme várias vezes afirmou o geógrafo Milton Santos – pensador que melhor refletiu sobre o tema – da mesma forma que as fronteiras podem ser um instrumento de coação e controle, também se apresentam como instrumento de proteção e de emancipação das sociedades nacionais”.[2]
O “muro do México” (ou “muro do Império”, como preferem alguns) que o separa dos Estados Unidos, como um muro na globalização; o Muro de Berlim, um símbolo vivo da divisão da Alemanha em duas repúblicas; os muçulmanos que gozam de liberdade no ocidente para divulgar sua fé, mas não permitem que o mesmo seja feito em suas terras, acaba se tornando um muro religioso.
Islâmicos não querem os cristãos conspurcando os valores morais, suas mulheres como as nossas, nem falando, nem se comportando, nem se vestindo, ou seja, não querendo o consumismo ocidental. “Tudo isso não a lutas, apenas a postura contra uma figura mítica que é o grande Satã, que em seus pensamentos, está tentando devorar a cultura, a religiosidade e a moral do seu povo”. (Nilza Valéria)
“A desigualdade, o preconceito e o racismo são muros invisíveis, e a construção dos muros físicos dá forma a isso. Os muros têm como origem a segregação, a visão que o ser humano tem do outro, o fato de seres humanos não se respeitarem como diferentes e se verem como superiores. Quem é superior, ou se julga assim, determina o relacionamento. Todos esses muros dizem respeito aos direitos humanos, ao direito de ir e vir, ao direito de viver com dignidade e qualidade de vida”. [3]
Figura: 1 Foto aérea feita em 2004 mostra parte da controversa barreira de segurança que divide ao meio a cidade de Abu Dis, na fronteira de Jerusalém
Fonte:http://www.revistaenfoque.com.br/index.Sphpedicao=60&materia=489
Figura: 2 Muro entre americanos e mexicanos: do lado direito, Nogales,
Arizona (EUA); do esquerdo, Nogales, Sonora (México)
Fonte: http://www.revistaenfoque.com.br/index.php
“Viver sem fronteiras” é o slogan de uma operadora de telefonia de celular, mas que por fim os muros revelam quanto estamos cada vez mais longe desse ideal, ou seja, vivemos em um paradoxo.
Um muro na separação do joio e do trigo existente até os dias atuais nas cidades.
Um muro na divisão existente nas religiões cristãs, o homem dividindo um só “Deus”.
Um muro na divisão das classes sociais e morais nas cidades.
Um muro entre o homem que periga morrer pelo homem
Medo, violência, depravação, discriminação, carnificina pertencem a que “mundo”?
O inferno propriamente dito na Bíblia, ou um inferno naturalmente acontecendo no mundo de hoje?
Será que somos cegos, ou fingimos não ver?
A existência do bem e do mal, é clara nas cidades de hoje e em toda sua existência, os dois meios caminham lado a lado, só que barreiras kimítrofes existem nesses lados, ou seja, se existe a violência, uma barreira é criada na procura de paz, se existe a depravação, outra barreira é criada na busca da omissão, e assim um simples fato de normalidade se constrói na sociedade.
Guerras e confrontos em nome de Deus alicerçam os muros religiosos. “Deus é um péssimo argumento numa guerra entre fundamentalistas religiosos”.[4]
Miséria e luxúria levantam uma primeira camada de um grandioso muro. “Estrutura política”
O moralismo humano como uma “cinta de amarração”, na sustentação central de um muro. “Humano”
Carnificina, barbárie e depravação, ou seja, os principais limites que as pulsões humanas são capazes de chegar ao convívio grupal, “as cidades”, como os nossos últimos objetivos e última camada de nossos muros serem mais espessos e mais altos em nossa sociedade. “Um fim”
A concepção conceitual de um “muro” para um projeto de parque urbano, seria uma forma tanto um pouco tendenciosa ao pré-conceito, mas que por fim tornara um explicito questionamento de sua existência para a sociedade.
Um elemento até um tanto pouco devastador na paisagem urbana, mas em uma conceitualização de “mundo”, de uma “etnia”, palavra derivada do grego ethenos, significando o “povo”, um termo tipicamente utilizado para referir o povo não-grego, assim sendo, onde este trabalho visualiza como um conceito formal de seu contexto espacial.
Um elemento que representa um “povo”, mas que por fim, um “povo” que escolhe seu “povo”, referenciando assim que o “não-povo” existe na convivência grupal, porque barreiras e mais barreiras estão sendo erguidas na sociedade, onde aumenta cada vez mais suas alturas e espessuras mediante uma barbárie contemporânea. Uma representação que conceitualize a existência da divisão cristã. Uma “formal” representação do medo mediante a barbárie existente no mundo. Uma representação de uma construção “moral” existente. (“cidades dentro de cidades”)[5]. Um simples e “belo” mecanismo dentro de um espaço onde o homem convive com o homem. Uma “sagrada” divindade que “Deus” nos deixou como um mecanismo de proteção, mas que por fim se tornara mais um elemento na segregação homem x homem.
[1] F. Nietszche. Humano demasiado humano. Ed São Paulo. 2001
[2] Nilza Valéria em revista online Enfoque <acesso em 21 de julho de 2008>
[3] Nilza Valéria em revista online Enfoque <acesso em 21 de julho de 2008>
[4] enfatiza o professor Theotônio, lembrando da guerra do Iraque. Revista Enfoque <acesso em 21 de julho de 2008>
[5] “Cidades dentro de cidades” referindo-se aos condomínios fechados que se transformam em pequenas cidades dentro de cidades.
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2 em 1
novembro 18, 2009 by Gabriela Grassato
Filed under ARTDESIGN, INTERNACIONAL

A BLOOMFRAME é um sistema idealizado pelo escritório holandês Hofman Dujardin Architects. Se trata de uma janela que pode se transformar em varanda, causando um efeito um tanto quanto curioso, e que de tão simples até parece óbvia para quem sempre quis ter uma varanda em sua casa (especialmente naqueles apartamentos compactos e apertadinhos onde a criação de mais espaço é sempre muito bem vinda).
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Na contramão dos Softwares
novembro 15, 2009 by Bruno Rodrigues Catallani
Filed under ARTDESIGN, CONTEMPORÂNEO, INTERNACIONAL

A designer Yulia encontra uma “brecha” de novas possibilidades gráficas, em uma era quase toda virtual.
Nome: Yulia Brodskaya
Nacionalidade: Russa, radicada em Londres desde 2006
Profissão: designer
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Complexo museológico – Instituto Inhotim
novembro 15, 2009 by victor locatelli garcia
Filed under CONTEMPORÂNEO, PROJETO
Instituto INHOTIM
fotos do autor
Em meio a um parque ambiental, acomodado à 60 quilômetros da capital de Minas (Brumadinho), o instituto INHOTIM é um complexo museológico com um rico acervo botânico e artístico. Quem caminha pelo instituto, está em meio a um dos mais fabulosos jardins do mundo. Com espécies raras, e de partes distantes, as plantas (e até mesmo aves) ornamentais compõem um ambiente “impossível”, caminhar pelo local pode ser sinônimo de deparar-se com o que seria improvável sem a intervenção humana, ou incomum, mesmo com ela.
Ambientados em tais jardins, intervenções como Penetrável magic square, de Hélio oiticica ou the mohogany pavillion (mobile archtecture nº1) de Simon starling, surpreende e deslumbra o visitante. Existem ainda produções de valor arquitetônico, tais como a Galeria True Rouge e a Galeria Adriana Varejão, que se locam de forma obtusa no instituto.
O fato de não ter fins lucrativos, não ameniza a seletividade imposta pela arte, cujo contato ainda se restringe à elite. Ainda assim, o instituto promove divulgações e projetos que podem abranger todas as classes, sem deixar se intimidar por isso, possui em seu restaurante um “cardápio que harmoniza a culinária internacional de alto padrão e uma boa carta de vinhos.” Cujo preço não merece ser citado.
Com apenas quatro anos, o Instituto Inhotim já possui um relevante importância cultural, diferindo-se de qualquer outro lugar no Brasil (e até mesmo no mundo). É definitivamente, um lugar que merece ser apreciado.
CONFIRA: Vídeo Galeria Adriana Varejão de Pedro Kok no link VÍDEOS
(fonte:vimeo)
VEJA TAMBÉM: Centro de Arte Contemporânea Inhotim. por Marília Vilela
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Jun Nakao: o invisível que costura
novembro 12, 2009 by maria julia barbieri
Filed under AUDIOVISUAL, CONTEMPORÂNEO, NACIONAL
O invisível que costura
por Maria Júlia Barbieri
O som em uma das salas de desfile no edifício da Bienal do Parque do Ibirapuera era fantasioso. Algumas harmonias herméticas e deslizantes conduziam os passos de modelos que adentravam na passarela adornadas com perucas playmobil e uma maquiagem gráfica preta que realçava apenas os lábios e as sobrancelhas. O universo lúdico de Jun Nakao se revelava. A face geometrizada de cada modelo escondia suas dobras de pele em um rosto único, todas continham a mesma expressão de boneca, que se estendia ao corpo coberto por um macacão preto. Toda essa produção foi minimamente pensada entorno daquilo que faria de sua coleção, talvez, uma das mais polêmicas da história do São Paulo Fashion Week.
Elas desfilavam modelos de papel.
Vestidos, saias e blusas, dobrados, costurados, estampados minuciosamente por mãos de artesão. Origamis vivos e brancos fluíam num cenário sublime. As dobras milimetricamente marcadas no papel vegetal se metamorfoseavam entre memórias de vestidos do século XVIII e roupas de arlequim. Era possível perceber, ou ao menos imaginar, o tempo necessário para que cada peça fosse produzida, meses de delicadeza e imaginação que traziam exatamente o significado da coleção de Nakao: o tempo.
Um tempo que guarda em si uma existência única. Eternizado por um momento que durou apenas alguns minutos. No final do desfile, todas as modelos em fila, sob uma luz estroboscópica e um som ruidoso, rasgaram suas roupas de papel, desmontaram toda a coleção diante o olhar perplexo de centenas de pessoas.
A única sobra desse acontecimento está presente no livro do estilista chamado “A Costura do Invisível”, no qual está presente todo o processo de criação e confecção das roupas, além do desfile documentado em DVD. Num limiar entre obra de arte e moda, essa coleção de Nakao questiona alguns conceitos essenciais da contemporaneidade.
Falemos então sobre o tempo. A coleção de Nakao não se esgota em si mesma, ela necessita do tempo para existir. O tempo de criação, de confecção e destruição da roupa é também o processo de criação, construção e destruição do próprio tempo. Talvez o sentido último desse tempo seja exatamente esse invisível que costura. A costura do invisível que nomeia o livro não é senão a costura que o tempo faz, a realidade que ele tece com seus fios de vida entrelaçados. Como na duração bergsoniana.
Esse tempo que Nakao torna visível de uma forma poética trata o efêmero, o passageiro, o fulgaz e volátil tempo do contemporâneo tão bem explorado pelo mundo fashion, no qual as coleções, para se adequarem às necessidades do mercado, precisam, necessariamente, ser antecipadas. No mundo da moda inverno é verão e verão é inverno, um tempo paradoxal.
Já falamos sobre o sentido último do tempo, falemos agora sobre o sentido último da roupa. O sentido dessa coleção não está na idéia do vestir, e sim na idéia do despir. Rapidamente resgatemos o significado dessas duas palavras. Dentre os diversos significados de vestir, primordiamente encontramos: proteger. No entanto, em sentido figurado encontramos: disfarçar-se. O sentido primeiro da roupa, na pré-história, sem dúvida nenhuma era a proteção; atualmente a roupa é mais disfarce que proteção.
Despir significa desnudar, descobrir. É então no despir, que Nakao encontra o sentido último da roupa. A destruição, a nudez das modelos ao final do desfile nos traz novamente o significado primordial da roupa, o reencontro com um corpo despido e não disfarçado, que necessita de proteção. Mais uma vez o paradoxo.
Porque o papel?
As primeiras roupas da antiguidade eram confeccionadas com fibras provenientes de algumas espécies vegetais, dentre elas o papiro, de onde se extraíram os primeiros pergaminhos de papel. Nakao então resgata a essência da vestimenta através de sua matéria-prima: o papel.
Todo o processo de criação dos modelos numa coleção também se dá sobre o papel, a estrutura, a modelagem, os cortes. Nakao mostra então seu processo, seu projeto original. No entanto, um projeto acabado, esculpido, desenhado e costurado sobre a delicadeza e fragilidade de uma matéria que gasta, amarela e rasga com o tempo. Vulnerável e suscetível a qualquer movimento se permite destruir, e por fim se tornar invisível. Um invisível que traz em sua costura o próprio tempo.
Site do estilista http://www.jumnakao.com.br/
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vitrine estreita
novembro 12, 2009 by Gabriela Grassato
Filed under INTERNACIONAL, MODERNO, PROJETO

Este projeto inovador, a Show Case, fica na cidade de Antuérpia, na Bélgica, e foi elaborado pelos arquitetos Pieter Peerlings e Silvia Mertens. São quatro andares de 60 metros quadrados estruturados em um esqueleto de aço encaixado entre dois edifícios, lugar onde não se imaginava que algo deste nível pudesse ser construído, pela pequena largura de 2,40 metros. Read more
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Egressa da Arquitetura tem projeto apresentado em Brasília
novembro 12, 2009 by equipemonolitho
Filed under NOTÍCIAS
O Trabalho Final de Graduação (TFG) da egressa de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de Votuporanga, Janaina Andréa Cucato – hoje Diretora da Divisão de Arquitetura e Controle Urbano da Prefeitura de Votuporanga -, foi tema de discussão, entre os dias 19 e 21 de outubro, do Seminário de Regularização Fundiária Urbana no Brasil, realizado em Brasília.
Leia o artigo completo
por thiago escremim
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Vídeos meios de expressão 1. Trabalho Laicidade.
novembro 6, 2009 by maria julia barbieri
Filed under DISCIPLINAS, ÁREA DE REPRESENTAÇÃO
Trabalhos dos alunos do 1ºperíodo diurno desenvolvidos na disciplina de Meios de Expressão 1, com orientação da profa.m.sc. maria julia barbieri. O tema: criar uma leitura estética audiovisual a partir do texto Laicidade do filósofo Michel Serres no livro Filosofia Mestiça.
alunos: Amanda Rodrigues, Aline Raquel e Carlos Passador
alunos: Hugo Quennehen, Letícia Salvioni, Mariana Martins
alunas: Drieli, Mairin e Suelen
alunos: Lauro Azevedo, Maria Clara Moraes e Jéssica Lopes
alunos: Ana Claudia Vitorio, Lais Dalto, Jessica Soares, Vanildo Garcia
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Aluno da arquitetura é o vencedor do Concurso de Foto CUCA
novembro 5, 2009 by equipemonolitho
Filed under CONTEMPORÂNEO, NOTÍCIAS
O aluno do 4ºperíodo do curso de arquitetura e urbanismo Victor Lacatelli, com a fotografia “A Matriz” foi o grande vencedor do primeiro Concurso de Foto CUCA promovido pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes) e Circuito Universotário de Cultura e Arte (CUCA-Votu). O aluno ainda teve outra fotografia com a temática da Igreja Matriz que ficou em 4 lugar entre os mais votados pelos jurados do concurso.
O concurso recebeu no total 115 fotografias que foram expostas na biblioteca do Campus Centro da Unifev para votação dos jurados. Participaram da votação os fotógrafos Du Zuppani, de São Paulo e Hamilton Pavam, de Rio Preto, além de professores e coordenadores dos cursos de Publicidade Propaganda e Jornalismo da Unifev.
A Matriz, de Victor Locatelli (fotografia premiada em 1 lugar)

Fotografia que obteve a 4 colocação entre os mais votados, de Victor Locatelli

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Concurso MIS Museu da Imagem e Som do Rio de Janeiro
novembro 4, 2009 by evandro fiorin
Filed under PROJETO

projeto Diller + Scofidio

projeto Brasil Arquitetura

projeto Daniel Libeskind
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Luiz Hermano: Uma arte quase-humana para uma quase-criança dentro de nós
novembro 2, 2009 by andre eichemberg
Filed under ARTDESIGN, CONTEMPORÂNEO
“A arte existe para que a verdade não nos destrua.” Nietzsche.
Luiz Hermano é um artista nascido no Ceará, 1954, sendo um dos importantes artistas brasileiros na atualidade. Seu universo passa por sua infância, suas origens, cultura e paisagem regional até as questões cibernéticas e digitais da era contemporânea.
A arte de Luiz Hermano seria antes de tudo, uma pré-coisa, um antes, anterior, estado gestativo de alguma matéria em formação. Anterior a forma ou de um conceito, podemos dizer que Hermano nos coloca nesse estado de arte que emerge do diálogo entre a infância e o universo que nos rodeia, isto é, a vida.
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Arquitetura em tudo
novembro 1, 2009 by viviane15sp
Filed under PROJETO
Resort, hotel de lazer (minha proposta) e a relação da arquitetura e do espaço…
Na visão geral das pessoas imaginamos a arquitetura como tudo aquilo que é ou está construído, que pode ser tocado, esquecendo que podemos senti-la sem mesmo ser um edifício habitado. Platão ligava a arquitetura a lógica das construções muitos anos antes de Cristo.
Nas últimas décadas houve tentativas de mudar esse conceito de espaço habitado, mudanças na perspectiva do que realmente entendemos como espaço seja edificado ou não. Nas grandes metrópoles como São Paulo, diante do caos da vida moderna, onde tudo é reaproveitado desde pequenos espaços em viadutos, até grandes complexos de condomínios fechados que privilegiam pequenas camadas sociais, a habitação ganha novos caminhos, pois, tudo pode ser moradia, sem mesmo oferecer condições higiênicas para a vida humana.
A popularização das moradias é cada vez maior, com apenas um indicador, o capital especulador, é visível a individualização dos serviços, onde nem conhecemos nossos vizinhos, devido os grandes índices de violência nos fechamos em casa, sem mais buscar o outro.
Diante dessas profundas transformações nas camadas sociais, econômicas e culturais, senti a falta de fontes de vida coletiva, onde as pessoas se comunicam, se conhecem, participam e interagem de momentos, e não somente aqueles destinados a nossa privacidade. Foi diante desse obstáculo que senti a necessidade de envolver a hotelaria, turismo e lazer como um só, sendo estes os facilitadores da união entre o homem e ambiente.
Estamos cansados de ver nos noticiários como a vida em sociedade é essencial para continuação da espécie, que a tecnologia ajuda mas não pode fazer tudo sozinha, parte do nosso interesse mudar. Mudar no sentido de sentir onde estamos pisando, recriar os lugares não apenas no pensamento. A arquitetura seria esse “recriar”, é através dela que passamos a sentir.
Viviane Rodrigues, aluna do 10 e último período de Arquitetura, Unifev.

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